Outro dia estava lendo o blog de um amigo e nele ele relatava o que eu gosto de chamar de “doce lembrança da infância”. No texto ele falava sobre o mate gelado na porta da sede do Fluminense. Para ele é fácil falar nascido e criado em um bairro tradicional carioca, o que não falta é historia nas ruas do seu bairro. Então eu jovem cidadã de Campo Grande decidi buscar na memória minha doce lembrança da minha infância no meu bairro.
E foi difícil, pensei em muitas coisas, mas nada me soava tão tradicional quanto o mate do Fluminense. Ai desencanei, lá na roça não tinha muitas coisas para fazer ainda mais coisas tão poéticas quando e de outros bairros.
Acho que minha maior lembrança é ir ao centro de Campo Grande, no calçadão, todos os sábados íamos normalmente a três minha avó Nininha, Alice minha tia e eu, às vezes minha mãe ia também só que me lembro pouco dela conosco. Íamos ao calçadão comprar qualquer coisa seja uma roupa ou um simples hidratante que poderia ser comprado pelo mesmo preço na farmácia do bairro. O que valia era o passeio, minha avó ficava a semana toda no trabalho e o fim de semana era o único tempo dela comigo e minha tia (nossa diferença de idade é de apenas oito anos). Sempre fazíamos as mesmas coisas andamos todo o calçadão e depois tinha a pizza na luzes (loja de departamento tradicional por aqui) eu achava aquela a melhor pizza do mundo, tudo acompanhado de muita coca-cola (minha avó era viciada em coca). Então essa é a minha doce lembrança de bairro. Vivi muitas coisas boas naquele calçadão, vivi muitas coisas boas com minha avó, vivo muitas coisas boas com minha tia até hoje. Como eu queria que minha Vó estivesse viva para conhecer a Thaís (filha da minha tia Alice que tirou meu posto de única neta), tenho certeza de que ficaria morrer de ciúmes da relação das duas, e de ouvir ela a chamando de Tatá, eu era chamada de Naná (até hoje escuto direitinha a voz dela na minha cabeça me chamando de Naná).
Ai fiquei pensando que seria injusto falar apenas das lembranças que tive com minha avó Nininha e busquei com mais intensidade uma memória da minha avó Zilah. Lembro dos passeios pelo Campo de Santana, mosteiro de São Bento e o pastel com laranjada no final da rua da alfândega. Até hoje quando vou ao Saara paro para comer um pastel e beber suco de laranja no mesmo lugar. Minha vó Zilah dizia que também levava meu pai e meus tios para lanchar ali.
Engraçado depois fico reclamando que sou gorda, minhas principais lembranças com minhas avós são relacionadas à comida. AFF!
Termino de escrever com muitas lagrimas nos olhos, mas uma grande alegria no meu coração. Tenho muitas saudades desse tempo que não volta mais. Tenho saudades da pizza da luzes, das minhas Avós, da minha infância e principalmente do tempo que não para.